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Jose Carlos Carvalho

Casos de polícia

Armas das Forças de Segurança que aparecem na mão de civis

Armas da PSP aparecem nas mãos de criminosos. Na Direcção Nacional faltam 57. Mas não há uma base de dados…

Hernâni Carvalho

Roubadas, furtadas ou “levadas”… certo é que há pistolas da PSP que “apareceram” nas mãos de civis fora-da-lei. Uma fonte da TvMais na direcção da PSP avalia estarem em falta 57 pistolas modelo Glock 19 e 26 outras, da marca Walther.
Uma das pistolas da PSP foi encontrada, em finais de Janeiro (ver caixa), nas mãos de um civil, no Porto. O homem é suspeito de tráfico de droga e não soube, ou não quis dizer, onde arranjou a pistola. A polícia suspeita que aquela arma tenha sido usada num assalto por carjacking. Na mesma operação foram também apreendidas 24 munições da Glock 19 e quatro carregadores.
Outras duas pistolas da PSP foram apreendidas pela polícia espanhola em Ceuta, um território espanhol do Norte de África. As três armas são pistolas Glock 19 e têm a inscrição “Forças de Segurança”, como todas as armas utilizadas pela PSP, GNR e SEF. As três “aparecidas” pertencem a um lote de armas desaparecidas do depósito de armamento da Direcção Nacional da PSP. Sobre nenhuma destas armas há notícia, participação ou registo de terem sido alvo de roubo, desaparecimento ou furto.
Na sequência dos três “aparecimentos”, a Direcção Nacional ordenou que, em todos os comandos da PSP do País, todos os agentes levassem a sua arma para o local de trabalho, a fim de se perceber quem tem ou não tem a arma de serviço. As armas foram confrontadas com os seus números de série.

Inventário de 2015
Consultados os registos internos, a PSP verificou que o número de série das Glock 19 “aparecidas” faz parte de um lote de 400 que estará no depósito de armamento da Direcção Nacional da PSP na Penha de França. O último inventário feito a este depósito terá sido em finais de 2015.
O agente Ribeiro era quarteleiro precisamente no lugar onde faltam as 57 pistolas Glock 19. Suicidou-se numa terça-feira de Novembro de 2015, nas instalações da DN da PSP.

Sem base de dados
A TvMais apurou que não há uma base de dados com o registo de todo o armamento e de todos os números de série das armas de serviço atribuídas aos polícias do efectivo. Cada uma dessas pistolas custa 700 euros no mercado.

Só os agentes estão suspensos
A PSP já apresentou queixa-crime e suspendeu dois agentes. A TvMais apurou que um oficial superior ligado àquele departamento saiu há pouco mais de um mês para uma missão no estrangeiro, mas que, directamente, apenas três pessoas tinham acesso às armas. Um chefe e dois agentes quarteleiros. Os dois agentes foram suspensos.

Silêncio da PSP, comunicado do MAI
A notícia da suspensão dos agentes quarteleiros deu origem a perguntas dos jornalistas do “Diário de Notícias”. Na ausência de qualquer explicação por parte da Direcção Nacional da PSP, foi o próprio Ministério da Administração Interna (MAI) que saiu a terreiro. “Na sequência da apreensão de uma arma de fogo da PSP numa operação policial, foi imediatamente aberto um processo de inquérito ao armazenamento de armas no Departamento de Apoio Geral da Direcção Nacional da PSP”, informou o MAI em comunicado. O Ministério Público, informado pela PSP sobre as armas desaparecidas na Polícia de Segurança Pública, delegou a investigação à própria PSP!