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Casos de polícia

Prisioneiro muito perigoso em fuga

O luso-israelita português evadido com dois chilenos da prisão de Caxias continua a monte. É perigoso, violento e ataca jogadores de casino endinheirados.

Hernâni Carvalho

Reuters

Como estava na mesma cela, Bitton de Matos apanhou “boleia” na evasão de Caxias que o “comando chileno” encetou na madrugada de domingo, 19. Os chilenos foram já capturados. Mas o luso-israelita que não se terá aventurado com eles por terras de Espanha, à hora a que fechamos esta edição, continua a monte.

Luso-israelita
Chama-se Joaquim Bitton Matos, nasceu em Israel há 29 anos, é filho de pai português e cedo veio viver para o nosso país. Nos últimos tempos viveu na aldeia de Sendieira, Torres Vedras, onde foi visto com duas companheiras. “Fazia vida nocturna e ninguém sabia do que vivia”, contou um vizinho à TvMais. Três dos seus carros estão agora abandonados na aldeia. Foi preso preventivamente em Outubro de 2015, por atacar e roubar jogadores dos casinos.


Ladrão e violento
Pronunciado pelos crimes de extorsão, associação criminosa, cinco roubos violentos, dois furtos qualificados, ofensas à integridade física, tráfico de estupefacientes e branqueamento de capitais, Bitton de Matos frequentara as salas de jogo e marcara os jogadores que tinham mais sorte ao jogo ou os que apostavam mais forte. Assaltava-os depois no regresso destes a casa.

Cada assalto, milhares de euros
Foi assim que Bitton e dois cúmplices assaltaram (segundo a acusação) uma jogadora, de 35 anos, em Setembro de 2015. Bitton de Matos e os comparsas esperaram pela vítima no hall de entrada do prédio, encostaram-lhe uma faca ao pescoço e fugiram com a mala onde ela tinha 36 mil euros. Em Campolide, assaltaram um casal de frequentadores de casino que ali mora. À porta da casa do casal, agrediram o homem, que caiu inanimado. Dos bolsos do homem levaram 10 mil euros. Depois, forçaram a mulher a entregar a mala de onde tiraram mil euros. Um mês depois, Joaquim Bitton Matos era preso. Nas buscas a sua casa foi encontrada a tal mala da vítima. Desde essa altura até agora, Bitton vira o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa rejeitar-lhe por três vezes a alteração das medidas de coacção.


Fugir como nos filmes…
Vistos pela última vez às 19 horas de sábado, quando os guardas fecharam as celas, os três (dois chilenos e um português), ter-se-ão evadido por volta da uma da madrugada já de domingo. Com uma serra de fio, como nos filmes, serraram as barras da janela da cela Q21 onde estavam no Estabelecimento Prisional de Caxias, em Oeiras. Fizeram um buraco na rede das traseiras da prisão, pondo-se em fuga para uma zona de mato. Desaparecendo depois pela calada da noite. Calcula-se que a fuga tivesse sido planeada há algum tempo, devido ao cuidado e tempo que leva a serrar as barras. Há suspeitas que tenham tido a ajuda da namorada do português. Um quarto recluso que também estava na mesma cela não participou na fuga, por, alegadamente, lhe ter sido administrada uma substância sedativa.


Alta segurança
O Estabelecimento Prisional de Caxias está dividido em dois redutos: Norte e Sul, com 300 metros de distância entre si. Designado de “alta segurança”, tem sete torres de vigia, mas quatro estariam desactivadas. A evasão terá passado entre as torres 5 e 6. A TvMais apurou que algumas rondas não estarão a ser feitas e que algumas das câmaras de vigilância também estarão danificadas. Há ainda a crónica alegada falta de guardas prisionais. Na altura da evasão, haveria seis guardas de serviço numa cadeia onde estão detidos cerca de 500 presos preventivos.


A primeira evasão do ano
“Informa-se que se trata da primeira evasão ocorrida em 2017 e que em 2012 se verificaram 14 evasões com 23 reclusos evadidos, em 2013 registaram-se sete evasões com nove evadidos, em 2014, seis evasões com 11 reclusos evadidos, em 2015, duas evasões com dois evadidos e no ano de 2016 ocorreram cinco evasões com seis reclusos evadidos”, diz o comunicado da Direcção-Geral Reinserção Serviços Prisionais (DGRSP) que acrescenta que todos estes 52 reclusos evadidos das cadeias portuguesas foram recapturados.


36 horas em fuga e regresso a Caxias
Após a fuga de Caxias, na madrugada de domingo, o português ter-se-á separado dos chilenos. Jorge Naranjo foi recapturado em Madrid, já no aeroporto, onde foi reconhecido por ter contas a ajustar com a Justiça espanhola. É suspeito de dezenas de furtos na zona de Cascais. Estava preso desde 28 de Novembro, quando na Segunda Circular, foi apanhado a bordo de um Audi furtado. Roberto Ulloa estava preso desde 24 de Outubro, altura em que foi detido numa bomba de gasolina nos Olivais, na posse de um carro furtado onde tinha lanternas, luvas e um corta-arame. Detido no aeroporto de Madrid quatro horas, foi libertado, alegadamente pelo facto de o centro de detenção do aeroporto de Madrid estar sobrelotado. Passaporte falso seria crime menor… Acabou apanhado em flagrante, já na quarta-feira, durante um assalto em Barcelona.


“Comando chileno”
Estes dois chilenos evadidos e recapturados, pertencem ao gangue responsável por vários assaltos violentos em moradias. Chamam-lhe o “comando chileno”. Actuam em toda a Europa, mas têm base em Portugal. Vindos do Chile, aterram em França ou Espanha e aqui chegam por terra. Tudo indica terem informadores e cúmplices em território nacional. “Exportados” para a Europa, actuam em paí-
ses tão diversos como Alemanha, Itália ou Londres, onde a dimensão dos seus actos levou a que sejam conhecidos como “o problema chileno”.