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Casos de polícia

Libertaram o Tojó!

Foi condenado a 25 anos de prisão por ter morto os pais à facada. Menos de 18 anos passados, o tribunal considera estarem reunidas as condições para o libertar.

Hernâni Carvalho

Arquivo

O juiz que analisou o processo diz que o Tojó dispõe de apoio familiar e se mostra arrependido pelos actos cometidos. E, assim, António Jorge Machado, condenado em cúmulo jurídico a 25 de anos de prisão pelo homicídio dos seus próprios pais, recebeu a ordem de soltura aos quatro quintos da pena. A liberdade condicional vigorará até 2024. António Jorge ficará a viver com a tia, que o apoiou ao longo destes anos e que até já o recebeu na saída precária que ele gozou há tempos. Não poderá ausentar-se desta casa em Coimbra por mais de cinco dias sem autorização do tribunal e deverá ter acompanhamento psicológico.

Voltar a matar
O perito que examinou Tojó na altura do julgamento explicou que ele era imputável e afirmou que podia voltar a matar. Não há notícia de este condenado ter feito recentemente qualquer avaliação que possa ter feito reverter a anterior...

Irritantemente bem-comportado
António Jorge tem 40 anos e um “irritante excelente comportamento”. Nada que lembre “o macabro crime que cometeu”. A expressão é de um guarda prisional de Coimbra, dita ao jornal “Observador”. Ao longo dos 17 anos de prisão que cumpriu (quatro quintos da pena), nunca teve qualquer repreensão ou sanção. Tojó já trabalhou nas limpezas, foi colocado na biblioteca e até na sala de música. Fez um curso de Inglês, frequentou um curso de Contabilidade e Gestão e um curso superior de Contabilidade. Na Universidade Aberta, esteve matriculado em Marketing e Negócios Internacionais. Tem tido aulas de Desporto e de Música. Dedica-se agora ao estudo e análise de mercados financeiros.

Primeira confissão
Agosto de 1999. Tojó mata os pais a 12 e é detido pela PJ a 16. Confessa os crimes, leva a polícia ao local onde abandonou o carro dos pais e a arma do crime e fica preso no Estabelecimento Prisional de Coimbra. Os investigadores e os juízes revelam a convicção de que Tojó não matou sozinho.

Crime satânico
Emerge a tese de que o duplo homicídio seja um ritual satânico. O facto de ter ocorrido poucas horas após o último eclipse solar do século e o facto de os suspeitos integrarem um grupo de death metal cujos textos referiam estas práticas, ajudaram. A PJ encontra vários textos de natureza satânica nos pertences de Tojó. A mulher, Sara, e os amigos de Tojó são constituídos arguidos.

Uma visita para o divórcio
Dez dias depois, na companhia do pai e da mãe, Sara, a sua deusa, visitou-o para lhe dizer que iria seguir a sua vida sozinha. Era o fim do casamento que ambos tinham firmado.

Nova confissão
A 7 de Abril de 2000, o único detido no processo abriu o jogo e contou como a mulher o tinha levado a cometer o crime. Sara, a mulher, Nuno e Hélder, dois amigos, são suspeitos e acabam julgados. “Não foram produzidas provas em audiência e nos autos que permitissem, para além de qualquer dúvida razoável, estabelecer a ligação dos dois arguidos com o crime”, disse o juiz do Tribunal de Ílhavo, a 17 de Abril de 2001.

Os absolvidos
Absolvidos por falta de provas, todos seguiram vidas diferentes e separadas. Sara Matos tem actualmente 41 anos. Vive no concelho de Aveiro, foi mãe de um rapaz e terá casado com um guarda prisional. Hélder Teixeira, amigo do ex-casal, que chegou a ser constituído arguido no processo, tem agora 36 anos e continua ligado à música death metal. Vive no Norte de Portugal, de onde é natural. Nuno Lima tem agora 37 anos e ninguém parece saber ao certo para onde foi. Terminado o julgamento e absolvido, o músico decidiu sair do País. Terá emigrado para Inglaterra ou Itália.