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Casos de polícia

Matou quatro de uma vez

Uma grávida e três outras pessoas morreram às mãos do mesmo homem, no mesmo momento. Os especialistas chamam-lhe homicídio em massa.

Hernâni Carvalho

Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

A ntónio Vale e Maria Glória, de 84 e 80 anos, respectivamente, Maria do Sameiro, de 66 anos, e Marisa Rodrigues, de 37, que estava no sétimo mês de gravidez da segunda filha (deixou uma outra de 7 anos), foram degolados com uma faca de 20 centímetros na manhã de sexta-feira, 24, em Tamel, São Veríssimo, no concelho de Barcelos.

Homicídio em massa
De acordo com a definição do Departamento de Estatística da Justiça dos EUA (Bureau of Justice Statistics), assassínio em massa (massacre) é o acto de um sujeito que tira a vida a quatro ou mais pessoas numa única ocorrência ou num curto período de espaço e de tempo. As mortes são provocadas num único local ou numa pequena área.

“Fiz asneira”
Depois de matar, Adelino Briote atirou a arma para o telhado de uma casa vizinha, foi mudar de roupa e regressou à rua. Calmo, pediu a um amigo que chamasse a GNR, contou o próprio José Pereira. “Fiz asneira”, terá dito Briote ao militar com quem seguiu até à casa de uma das vítimas. Quando regressaram já vinha detido.

Explosão
Nos homicídios em massa não ocorre qualquer período de reflexão ou arrefecimento. As mortes sucedem-se em catadupa. Os especialistas dizem que estes homicídios são motivados por pressões externas do dia-a-dia, tais como raiva e problemas de personalidade ou psíquicos, e que os actos mortais culminam num processo de libertação contra os outros. Adelino Briote atacou na jugular, degolando as quatro vítimas. O uso da faca é um sinal de indiferença. Matar com faca exige proximidade física e, portanto, ausência de remorso no acto.

Vingança, doença ou ambos
O presidente da Junta de Freguesia de S. Veríssimo, João Abreu, explicou que ele já tinha dito várias vezes que se vingaria. As vítimas não quiseram testemunhar a favor do Briote num processo de violência doméstica que em Novembro o tinha condenado a três anos e dois meses de pena suspensa. Tinha agredido a própria filha com um ferro, também grávida, e a sogra, em Março de 2015. Para Bruno Brito, psicólogo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), “a perigosidade do indivíduo não foi devidamente avaliada na altura da condenação e da decisão da pena suspensa”.

Consciência ou culpa
A consciência (do ponto de vista da mente e não do ponto de vista moral), constitui a forma como cada um interioriza a realidade. Esta é a noção que caracteriza o facto de alguém ser imputável, ou seja, poder ser responsabilizado pelos seus actos. Por isso os homens do Direito falam da consciência no momento do acto.

Surto ou incumprimento
Adelino Gomes Briote, 63 anos, antigo operário têxtil, foi fuzileiro. Tinha acompanhamento psiquiátrico e chegou a estar internado na psiquiatria do Hospital de Braga. Há dois meses, deixou de tomar medicação. Foi viver sozinho para a casa onde morou quando constituiu família. A ex-mulher emigrou. Na manhã de sexta-
-feira, dia 24, destruiu a sua casa por dentro. Depois, saiu à rua e degolou quatro pessoas. Em três lugares diferentes, apesar de próximos entre si.

Assassinos em massa
São pessoas perturbadas ou até paranóicas, mas levam uma vida aparentemente normal. Podem ser impulsionados por motivações tão diferentes como raiva, tristeza, ressentimento, ou por se sentirem humilhados num determinado contexto. A doença mental pode gerar ataques violentos, como uma crença ilusória.