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Casos de polícia

Afonso libertado, Rui Pedro continua desaparecido

O homem condenado por levar Rui Pedro foi libertado e vai escrever um livro. Do desaparecido há 19 anos, nada. Reveja as singularidades deste desaparecimento.

Hernâni Carvalho

Miguel Pereira/Global Imagens

D e acordo com o seu advogado, Afonso Dias continua a proclamar inocência e terá manifestado isso ao Tribunal de Execução de Penas. Ao contrário do que vem acontecendo com outros condenados que não reconhecem a culpa, Afonso Dias manteve que está inocente e teve direito à liberdade condicional.

O que é que aconteceu ao Rui Pedro
“Se acredito que o meu filho está vivo? Já começo a ter dúvidas, mas não vou desistir. São muitos anos, mas o meu coração de mãe quer ter esperança...”, diz Filomena Teixeira, mãe de Rui Pedro. Os pais do rapaz, desaparecido há 19 anos, continuam a acreditar que Afonso Dias esteve na origem do desaparecimento do filho e afirmam que não vão desistir de o procurar.

Contar tudo em livro
Começou por ser absolvido no tribunal de Lousada, mas acabou condenado a três anos de prisão efectiva, nos tribunais superiores. Cumpridos dois terços da pena, Afonso Dias saiu esta semana em liberdade condicional. O seu advogado, Paulo Gomes, informou que o seu cliente saiu da cadeia de Guimarães para o estrangeiro e anunciou que ele irá retomar a sua actividade profissional de camionista e que projecta contar tudo em livro.

Uma jornalista
Justiça seja feita, o caso “Rui Pedro” teria morrido não fora o empenho de alguma comunicação social, em particular da jornalista Ana Leal, que investigou inúmeras pistas, designadamente, operações internacionais de combate às redes de pedofilia, onde ela chegou a encontrar fotografias de rapazes, alguns, parecidos com Rui Pedro. A fotografia de uma criança muito parecida na Disneylândia de Paris perdeu-se no tempo. Enquanto as diversas pistas foram vistas e descartadas, a família de Rui Pedro foi alvo de tentativas de extorsão, a troco de informações. As pistas nunca passaram disso.

Inspector da PJ assediou mãe do Rui Pedro
Esta semana, o pai de Rui Pedro denunciou em directo e de forma explícita, no programa “Queridas Manhãs”, da SIC, que a sua mulher, mãe do Rui Pedro, foi assediada em 1998 por um inspector da PJ, durante a primeira investigação ao desaparecimento do filho. O inspector em causa nunca aceitou falar do assunto.

Inspector escondeu informações
Um outro antigo inspector da PJ, também da primeira investigação, escondeu que o menino sofria de epilepsia (ver caixa). Num julgamento, em 2012, assumiu a mentira e admitiu também ter-se esquecido de ouvir a testemunha Alcina Dias. Apesar de já estar aposentado, a PJ moveu-lhe um processo disciplinar e o inspector foi punido com 25 dias de suspensão, substituídos por perda de vencimento na pensão de reforma.

As contradições de Alcina
Quinze anos depois do desaparecimento, os tribunais condenaram Afonso Dias por acreditarem que este levou o Rui Pedro a uma prostituta. A mulher cujo depoi-
mento foi desvalorizado em Lousada, por entrar em contradição com aquilo que tinha sido investigado pela PJ, em 1998, Alcina Dias, foi a testemunha que “colocou” Rui Pedro no carro do Afonso Dias. À época do desaparecimento, ela frequentava a mata de Lustosa, onde o menor terá sido levado por Afonso para ter relações sexuais. Em 1998, na fase de inquérito, o testemunho desta mulher não recebeu credibilidade da PJ e em 2011 as várias versões de Alcina também não convenceram o colectivo de juízes.

Reconhecer Afonso Dias
Alcina teve a certeza que o homem que vira 13 anos antes com Rui Pedro era Afonso Dias. Nunca antes o identificara, nem mesmo quando se cruzou com ele no tribunal dias depois do desaparecimento. Talvez por isso, as palavras de Alcina tenham soado a falso nos ouvidos das três juízas do tribunal de Lousada, que absolveram Afonso Dias.