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Casos de polícia

Tragédia dos fogos: Nem verdade nem consequência

No jogo do empurra entre entidades, alguns relatórios parecem ser feitos sobre países ou lugares diferentes. Um especialista aponta uma alternativa ao SIRESP, quase gratuita.

Hernâni Carvalho

Reuters

As falhas, erros e omissões continuam sem responsáveis conhecidos mas não faltam incongruências entre relatórios. Depois de a PJ ter identificado uma árvore no lugar onde o incêndio terá começado (Pedrógão Grande), um relatório do IPMA atestou esta semana não haver qualquer registo de raios caídos naquele lugar.

Todos de fora
Sobre a tragédia de Pedrógão, todas as entidades intervenientes emitem relatórios, mas nenhum é coincidente em nada com o do lado... PJ, Instituto do Mar e da Atmosfera (IPMA), Proteção Civil (ANPC), Rede Nacional de Emergência e Segurança, vulgo SIRESP, Secretaria-Geral do MAI e o próprio Ministério da Administração Interna (MAI) parecem escrever relatórios sobre países ou lugares diferentes.

Falharam as comunicações?
Depende. Nos dois relatórios sobre as comunicações no fogo de Pedrógão Grande, já entregues ao Governo, as perguntas são iguais, mas as respostas, chegam diferentes. O relatório da ANPC diz claramente que houve falhas na rede SIRESP. No relatório da SIRESP, SA lê-se que “Não houve interrupção no funcionamento da rede SIRESP, nem houve nenhuma estação-base que tenha ficado fora de serviço em sequência do incêndio”.

Marinha, Exército e SIRESP
O tenente-coronel João Alveolos, especialista em Segurança e Defesa, disse esta semana à TvMais que o sistema de comunicações da Marinha de Guerra portuguesa (via satélite) é excelente e que já foi testado diversas vezes fora de portas. Este especialista explicou também que o sistema de comunicações do Exército (por repetidores) também é bom, está montado e a funcionar. Qualquer destes dois sistemas custaria migalhas ao Estado se comparados com o custo do SIRESP, que só este ano vai custar ao mais 44 milhões. Desde que esta parceria público/privada nasceu (SIRESP, 2006), já custou mais de 500 milhões.

Emergência por telemóvel
Certo é que diversas fontes contactadas esta semana pela TvMais, junto dos bombeiros e das polícias, confirmaram que em caso de emergência, preferem sempre recorrer aos telemóveis pessoais do que ao SIRESP.