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Casos de polícia

Roubo nos paióis do Exército: as armas e os ladrões assinalados...

Rede esburacada, ausência de detectores de movimento, videovigilância inoperacional há anos, rondas por fazer… Assim estão os paióis do Exército que foram roubados. Há quem diga que dá para começar uma guerra, ou para diversos ataques terroristas…

Hernâni Carvalho

Nuno Botelho

Fomos atingidos no nosso orgulho e no nosso prestígio”, disse esta semana o chefe do Estado-Maior do Exército, a propósito do roubo de armamento feito nos paióis principais do Exército, em Tancos.

Suspeitos e suspensos
A última ronda foi feita às 20 h de terça--feira, 27, e o roubo só foi detectado pelas 16.30 h de quarta, 28. A investigação está a confrontar diversos responsáveis, uma vez que deveria haver rondas de duas em duas horas. Os militares de vigia aos paióis, designadamente os quarteleiros, serão, para já, os que mais estarão sob a mira da Polícia Judiciária Militar e da PJ. Para evitar entraves à investigação, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, demitiu os cinco coronéis que comandavam as cinco unidades militares instaladas em Tancos.

Um arsenal roubado
As fontes militares contactadas pela TvMais referem que foram detectados dois buracos nas redes do perímetro de segurança e que nos paióis foram roubadas dezenas de granadas anticarro (lança-rockets), mais de uma centena de granadas de mão (ofensivas e defensivas), mais de mil munições de guerra, granadas de gás lacrimogéneo, material diverso de sapadores militares, bobinas de arame, disparadores e iniciadores (equipamento para rebentar explosivos PE4A (57 kg), muito usado em carros-
-bomba no Iraque e no Afeganistão pelo elevado poder de detonação que tem. Muito mais forte que TNT.

Terrorismo ou guerra
“Já deve ter voado tudo para fora do País. Coisa de profissionais com informação privilegiada nos paióis. É material procurado por diversas organizações, mais ou menos clandestinas, e parte dele, é usado no fabrico de bombas improvisadas. As granadas de mão dão jeito em quase todas as circunstancias de guerra...”, explicou à
TvMais uma fonte militar. O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, anunciou que Portugal vai informar os seus congéneres europeus e a NATO.

Obras e videovigilância só em 2018
Nem os paióis nem as redes têm sequer detectores de movimento. O sistema de videovigilância dos paióis está “inoperacional” há cerca de dois anos. As verbas para comprar vigilância electrónica e controlo de acessos estavam calendarizadas para 2018. O perímetro dos Paióis Nacionais do Exército, em Tancos, tem 2500 metros de extensão. A rede metálica exterior, recebeu algumas obras (poente) no final do ano passado. Mas para três quartos da vedação ainda não começou sequer o concurso que só depois do roubo anunciado viu autorização do ministro da Defesa em Diário da República.

Escândalo
A TvMais falou esta semana com António Baldo, licenciado em Políticas de Segurança e antigo sargento-mor da Polícia do Exército (PE) que afirmou ser “uma quebra de segurança tremenda, que nem com as FP25 Abril um escândalo destes aconteceu”. O especialista explicou que quando estava no activo, todos os paióis da zona envolvente de Lisboa, por exemplo, além dos militares que tinham lá colocados, eram rondados e fiscalizados em permanência pela PE. O antigo militar exclamou “Ao que isto chegou! Como pode o coração do Exército ser atingido desta forma?” Quanto ao destino que as armas roubadas pôde ter levado, aquele especialista disse recusar comentar isso em público.

Paióis Nacionais do Exército
Há 20 paióis instalados em Tancos. Catorze, são Paióis Nacionais do Exército. Ali estão guardados todo o tipo de armas, explosivos, munições e artefactos de guerra diversos. Quantos e exactamente quais, é matéria que o Exército não revela, por segurança. São rondados diversas vezes por dia, em rondas apeadas e motorizadas, sem padrão fixo.