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Casos de polícia

60 incendiários este ano

A história dos fogos florestais deste ano conta, até agora, com 60 incendiários conhecidos, fenómenos da natureza, falhas do SIRESP, uma lei da rolha e diversas negligências…

Hernâni Carvalho

iStock

Este ano já terão sido detidas 60 pessoas suspeitas de atearem incêndios florestais. Ainda sem suspeitos detidos, o fogo de Mangualde começou em três locais distintos do concelho, apenas com 15 minutos de intervalo.

Atear o fogo a horas certas
Um padeiro de 51 anos foi detido pela Polícia Judiciária da Região Centro por suspeitas de ter sido o autor de cinco incêndios florestais que deflagraram em São João de Areias, no concelho de Santa Comba Dão. Os incêndios ocorreram entre os dias 8 e 11 deste mês e começaram sempre a horas certas. Quer as polícias quer a população de São João de Areias e os bombeiros andavam intrigados com a deflagração de vários incêndios, em dias consecutivos, quase sempre à mesma hora. Após diligencias diversas, as autoridades policiais viram naquele padeiro um dos suspeitos. O homem cedo confessou a autoria dos crimes aos investigadores da PJ. Explicou que usou sempre um isqueiro e que ateou os fogos por gostar de assistir ao aparato do combate ao fogo, a acção dos bombeiros e todo aquele cenário.

Outro que gosta de ver arder
A PJ de Leiria deteve um homem de 27 anos por ter ateado dois incêndios em Alcanena, a terra da sua naturalidade. Este suspeito que já está em prisão domiciliária, também terá alegado gostar de ver as chamas e testemunhar o combate feito pelos bombeiros.

Incendiários
Um estudo do Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais (ISPJ), coordenado pela professora doutora Cristina Soeiro sobre o perfil do incendiário, descreve-o como alguém do género masculino (só 10% são mulheres), na faixa etária dos 20-35 anos, solteiros ou viúvos, com baixos índices de escolaridade e desempregados. 70% dos casos conhecidos de “fogo posto” enquadram-se nesta discrição. Muitos sofrem de depressão, atraso mental ou hiperdependência do álcool e outras drogas. De uma amostra de 342 indivíduos, todos utilizaram fósforos, isqueiro e queimadas e só oito usaram materiais combustíveis. A maioria volta ao local do incêndio depois da chegada dos bombeiros e alguns até ajudam no combate às chamas. Os incendiários que confessam o crime por razões financeiras falam sempre em quantias muito baixas.

“A lei da rolha”
O comandante dos voluntários de Gouveia, Nélson Pina, juntou-se esta semana ao coro de protestos por causa da “lei da rolha” que impede os comandantes distritais de prestarem informações aos jornalistas. Este comandante referiu que no incêndio que lavrou em Gouveia (terça, 18, e quarta-feira, 19), as comunicações do SIRESP voltaram a falhar.

Diz a Proteção Civil
“Aqui em Carnaxide sabemos ao minuto o que se passa no teatro das operações”, disse a adjunta nacional de Operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Patrícia Gaspar na primeira reunião oficial com os jornalistas. As informações sobre fogos, onde quer que eles ocorram, passam a ser dadas só na sede nacional da ANPC. “O que estamos a fazer é reservar os comandantes operacionais, os elementos da estrutura operacional para aquilo que é a conduta das operações.” Argumentos para explicar a decisão da ANPC de inibir os comandantes distritais de falarem à imprensa. Coisa estranha se lida a própria lei quadro da ANPC...

Diz a Liga dos Bombeiros
“Impera a lei da rolha”, afirmou o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, sublinhando que a medida representa “um atentado à informação” e que “suspende o funcionamento democrático”. “Esta concentração à distância do que se está a passar no terreno nunca será uma boa informação. É uma informação sempre deturpada”, e concluiu: “Leva-me a questionar: se eles [os comandantes distritais operacionais] servem para comandar, porque é que não hão-de servir para informar?”

Associação de familiares de vítimas
Em comunicado enviado à agência Lusa, familiares das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande explicaram estar a constituir uma associação com o objectivo de “acompanhar os trabalhos de apuramento das responsabilidades naquela que foi considerada a maior tragédia nacional em matéria de fogos florestais, em termos de poder de destruição e de vítimas mortais”. Uma das grandes dificuldades dos promotores desta associação é chegar à lista oficial das vítimas mortais. A lista não foi divulgada pelas autoridades alegando que o caso está “em segredo de justiça”. A futura associação já tem um grupo no Facebook e reuniu recentemente em assembleia geral de fundação da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande.

13 continuam internados
Dos 250 feridos contabilizados oficialmente, há 13 que continuam internados. Uma mulher pediu para ir para França para junto da família e um outro ferido foi transferido para Valência, em Espanha. Há doentes internados no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no Hospital de S. João e no Hospital da Prelada, no Porto. Sete feridos continuam internados no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.