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Casos de polícia

Afogamento de crianças e jovens, a morte silenciosa

O afogamento é a segunda causa de morte infantil. Entre 2013 e 2016, morreram 35 crianças e 129 foram internadas de urgência. A maior parte destas crianças tinha entre 0 e 4 anos.

Hernâni Carvalho

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Terça-feira, 15 de Agosto. Um bebé, de 18 meses, está internado no Hospital de S. João, no Porto, em coma induzido, depois de ter caído a uma piscina, na casa dos avós, na Póvoa de Lanhoso. Foi a mãe que encontrou o filho inanimado e o retirou da água. Ainda foram tentadas manobras de reanimação, mas os familiares acabaram por levar o menino de carro para o hospital, no centro daquela vila, de onde acabou transferido para a pediatria do hospital do Porto.

Mais vítimas dos 0 aos 4 anos
O primeiro dia de férias e o final da tarde são os momentos em que ocorrem mais afogamentos com crianças. Dos 0 aos 4 anos os afogamentos tendem a acontecer em ambientes construídos como tanques, poços e piscinas. Nas crianças mais velhas e adolescentes, a tragédia ocorre mais vezes em ambientes naturais como praias, rios ou lagoas.
Terça-feira, 15 de Agosto. A criança ficou inconsciente e deitaria muita água pela boca quando foi retirada da piscina. Segundo o avô, “foi tudo uma questão de segundos. Ele estava a brincar com o irmão, de 3 anos, junto do pai”. De acordo com a família, o estado do bebé é agora considerado estável. “Já fez exames ao cérebro e não tem lesões. Os pulmões é que ficaram mais afectados por causa da água que engoliu”, disseram familiares.

Morte silenciosa
Mesmo em pouca água, o afogamento de uma criança ocorre de forma rápida e silenciosa. A criança (dos 0 aos 4 anos) não esbraceja nem grita quando cai à água. Afoga-se em silêncio absoluto. A tragédia dá-se quase sempre em ambientes familiares aparentemente seguros. Na banheira, piscina, lago do jardim, poço, tanque de rega, rio, praia ou mesmo baldes e alguidares.
Agosto de 2017, Ereira, Montemor-o-Velho. Um adolescente de 16 anos, residente na Figueira da Foz, desapareceu na água depois de saltar de uma prancha, num lago com zona balnear guardada. O rapaz esteve mais de meia hora sem ser localizado. As prolongadas manobras de reanimação foram infrutíferas e o óbito foi declarado no local.

Segunda causa de morte infantil
O afogamento infantil é a segunda causa de morte em crianças (a primeira são os acidentes rodoviários). Apesar de Portugal ter cerca de 550 km de praias, a maioria dos afogamentos fatais é registada em meios aquáticos construídos, nomeadamente piscinas familiares, tanques e poços de propriedades privadas.
Junho de 2017, Águeda. Dois irmãos de 11 e 14 anos morreram afogados no rio Vouga. A família é de Santa Maria da Feira e deslocou-se a Águeda naquele dia em passeio. As crianças não conheciam o local. O corpo do menino de 11 anos foi resgatado três horas depois. A irmã, de 14 anos, ainda foi resgatada com vida, mas acabou por morrer no hospital de Aveiro.

Protecções insuficientes
Ensinar as crianças a nadar antes dos 5 anos, como método de prevenção de afogamento, é insuficiente. As piscinas cobertas e os assentos para banhos de bebés não são meios de prevenção eficazes, nem são substitutos da supervisão por um adulto.
Abril de 2016, cidade do Porto. Um menino de 2 anos foi encontrado pelo jardineiro, já afogado, na piscina da casa dos avós paternos. Nem os familiares da criança nem os empregados se tinham apercebido de que Gonçalo saíra de casa depois de ter estado a dormir.

Longe dos manuais
Apesar dos 550 km de praias, os currículos escolares do ensino básico e secundário são pobres na temática educacional sobre segurança na água.
Julho de 2015, Foz do Lizandro, Mafra. Uma criança de 6 anos morreu na praia da Foz do Lizandro. Os pais terão dado por falta da criança no final do dia e encetaram buscas por conta própria pelo areal. As autoridades foram alertadas cerca de 20 minutos depois. As manobras de reanimação do INEM duraram mais de uma hora, mas sem sucesso.