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Casos de polícia

Hernâni Carvalho: O mistério da morte de Pedro Palma

Mantêm-se as dúvidas sobre a morte de Pedro Palma. O carro em cuja bagageira foi encontrado morto está na posse das autoridades desde terça-feira, 29 de Agosto. A certidão de óbito diz que o fotojornalista morreu ao final da tarde de quarta-feira, dia 30.

Hernâni Carvalho

DR

Na terça-feira, dia 29, a GNR deslocou-se a uma rua sem saída em São Pedro de Sintra, onde o carro de Pedro Palma foi encontrado. Sem que a zona tenha sido delimitada ou alguma busca feita nas imediações, sem qualquer inspecção feita ao exterior ou ao interior do carro, o Alfa Romeo foi rebocado por um particular às 18.30 h de 29 de Agosto, para o posto da GNR em Alcabideche. A certidão de óbito diz que Palma faleceu quase 24 horas depois. A irmã do fotojornalista está indignada com a actuação policial e burocrática no desaparecimento e morte do seu irmão.

No porta-bagagens
Na quarta-feira de manhã, especialistas do Laboratório de Polícia Científica e inspectores das Secções de Desaparecidos e dos Homicídios da PJ (ao todo 11) compareceram no quartel da GNR de Alcabideche para procederem a peritagens no Alfa Romeo. Encontrar um traço ou vestígio de violência ou da interferência de terceiros... Uma abertura no banco traseiro entre o apoio de braços tornou visível parte do corpo. É assim que a PJ descobre o cadáver na bagageira. Lá dentro estavam também a chave do carro e os documentos. Mesmo depois de o Alfa ter sido rebocado por ordem da GNR de uma rua sem saída, em Sintra, o corpo de Pedro Palma esteve sempre no carro.

Álcool e comprimidos
Na bagageira do carro, o corpo de João Pedro Palma, 58 anos, foi encontrado entre garrafas de vodca e lamelas de comprimidos. Sem sinais de agressão ou defesa, descalço, com a boca envolta em espuma, provavelmente dos espasmos de um coma alcoólico sem retorno. A autópsia aponta para um suicídio por ingestão combinada de álcool e medicamentos. Foram remetidas amostras diversas ao laboratório para exames toxicológicos, a fim de apurar a quantidade de álcool e o tipo de medicamentos que de facto Pedro Palma ingeriu. Mas “há circunstâncias estranhas, que devem ser investigadas, em redor do caso”, disse uma fonte próxima da investigação.

Suicídio?
“O meu irmão nunca falou em matar-se”, disse Rosário Palma, irmã de Pedro Palma aos jornais. Não se sabe de quem poderia querer fugir o fotojornalista. Ou se alguém sequer lhe queria tanto mal. Sabe-se que a sua página de Facebook foi apagada. As suas alegadas ligações a serviços de informação estrangeiros estarão a ser investigadas pela PJ. Há uns anos, Pedro chegou a estar detido em Angola por alegada espionagem e as suas ligações a pessoas da Arábia Saudita são conhecidas, bem como posições que terá tomado em público, próximas de alguns sectores... A explicação, quase evasiva, é dada por uma fonte próxima da PJ, segundo a qual “é possível, no entanto, que nunca venha a ser apurado e/ou conhecido publicamente o que aconteceu na realidade”.