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Casos de polícia

Análise de Hernâni Carvalho: A mais velha reclusa de Portugal vai a julgamento

Rosa Vegele começa a ser julgada. A ré anda neste mundo há nove décadas!

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Tem 90 anos, é de nacionalidade brasileira e está presa preventivamente na cadeia de Tires, desde há um ano, por o Ministério Público (MP) considerar haver perigo de fuga e continuação da actividade criminosa. A acusação considera que Rosa actuou no âmbito de uma associação criminosa que enganou advogados, notários e funcionários de conservatórias. Burla é o que diz o MP. O julgamento de Rosa Vegele começa já no próximo dia 4 de Dezembro.

Vida de luxo
Antes de ser detida, a agora decana das presas, vivia num hotel de Cascais e não se poupava a luxos. A investigação apurou que das compras feitas com o dinheiro alcançado pela venda fraudulenta, Rosa e seus comparsas terão gasto a jorros, incluindo joias de 5 mil euros. A idade avançada de Rosa era usada para dar credibilidade à organização junto das vítimas das burlas.

A rede
Segundo o MP, esta rede era composta por sete pessoas: Rosa Vegele, José Vegele, Fernando Marcelino, Adriana Farias, Luís Sobreira, João e Rosane Vegele. Os sete estão acusados dos mesmos crimes: burla qualificada, tentativa de burla, falsificação de documentos, associação criminosa, branqueamento de dinheiro. Dois deles estão ainda acusados por auxílio material.

Sete burlões
Segundo a acusação, Rosa e os seus seis cúmplices (alguns dos quais familiares) conseguiram vender um imóvel que não lhes pertencia. Os sete terão conseguido vender um prédio situado em Lisboa, por 400 mil euros. Da maquia conseguida, 300 mil foram logo repartidos entre os sete, que, no dizer do MP, passaram a fazer uma vida de luxo.
Dois destes arguidos tinham fugido da prisão na altura em que a venda fraudulenta do prédio foi descoberta e estão presos por causa de outras burlas, falsificação e contrafacção de documentos e receptação. Os restantes quatro estão em liberdade, com a obrigação de se apresentarem periodicamente às autoridades.

O esquema
De acordo com a acusação, em 2016, os sete arguidos conluiaram-se numa organização apurada, em que cada um tinha tarefas definidas, engendrando um esquema para vender um imóvel devoluto, que não era seu, avaliado em meio milhão de euros. E, assim, elaboraram actas de assembleias gerais, que não se realizaram, de uma sociedade comercial, proprietária do imóvel, à qual dois deles já tinham pertencido. Estão acusados de falsificar assinaturas nesses documentos. Com os documentos falsificados, conseguiram comprovar na Conservatória do Registo Predial que eram sócios gerentes da empresa. Posto isto, trataram de abrir contas bancárias em nome da empresa, estando também acusados de enganar os funcionários bancários. Depois, contactaram potenciais clientes e conseguiram vender o apartamento (Outubro de 2016) por 400 mil euros. Desta quantia, 300 mil euros foram transferidos para os sete arguidos, que, com o dinheiro obtido, fizeram levantamentos e pagamentos diversos por cartão de débito, entre estes, compraram joias no valor de 5 mil euros.