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Casos de polícia

Análise de Hernâni Carvalho: Novas provas por Maëlys

A polícia francesa recolheu novas provas contra o único suspeito do rapto da luso-descendente de 9 anos. Mas este também teve uma vitória pois o depoimento, onde se contradisse, foi anulado por um juiz.

Hernâni Carvalho

As imagens foram recolhidas pela polícia francesa na videovigilância da via pública, na aldeia de Pont--de-Beauvoisin (3500 habitantes), a 85 quilómetros de Lyon, Sudeste de França. Mostram o Audi A3 conduzido por Nordhal Lelandais em andamento, com um vulto no banco do passageiro vestido de branco. Precisamente a roupa que Maëlys usava no casamento de onde desapareceu (ver caixa). As imagens gravadas precisamente à hora a que a menina desapareceu têm 30 minutos de intervalo entre si. No regresso ao casamento, o Audi A3 é filmado de novo e de novo a ser conduzido por Lelandais, mas Maëlys, já não ia no carro.

Polícia 1
Depois das autoridades francesas terem recolhido amostras do ADN de Maëlys no tablier do A3 e de terem descoberto que Lelandais tinha limpado todo o carro com detergente da limpeza de jantes (de tal forma que os cães da polícia ficaram inoperantes, tontos e meio envenenados quando o cheiraram), passaram três meses. Agora, a polícia francesa recolheu um novo trunfo para indiciar Lelandais do rapto e sequestro da pequena Maëlys. Precisamente as imagens recolhidas na videovigilância que tornam a aumentar as suspeitas contra Lelandais, que, por isso mesmo, está em prisão preventiva desde Agosto último.

Lelandais 1
Mas nem perante mais uma prova adquirida Lelandais se deixa esmorecer. Os depoimentos que prestou na polícia e onde se contradisse a eito, logo em Agosto, foram anulados pelo tribunal por não terem sido filmados (como obriga a Lei em França) e portanto a contradição do suspeito ficou anulada... Recorde-se que Lelandais tinha justificado a sua saída do casamento com duas versões. Numa, disse ter ido buscar droga para alguns convidados da boda. Numa outra, alegou ter ido trocar os calções que tinha sujado de vinho e vómitos. Explicou que os deitou no lixo por não querer que a mãe soubesse que se tinha embebedado. Na quinta-feira, dia 30 de Novembro, Nordahl Lelandais esteve a ser outra vez interrogado e confrontado com as novas provas da polícia. Tornou a negar qualquer envolvimento no desaparecimento da menor.

Aniversário a 5 Novembro
Cerca de 150 pessoas lançaram dezenas de balões brancos escritos com o nome de Maëlys Araújo, na manhã de domingo, 5 de Novembro. Precisamente o dia que assinala o nascimento da pequena luso--descendente, desaparecida em Agosto. “Feliz aniversário, Maëlys, nós não te esquecemos”, disse a sua mãe, Jennifer Araújo, sob uma chuva intensa, perante familiares e amigos reunidos num parque em Abrets, no Sudeste de França, e também sob o olhar de muitos habitantes da zona.

Buscas no lago
Logo no dia seguinte ao desaparecimento de Maëlys, os cães-pisteiros da polícia francesa seguiram o odor da menina até um parque de estacionamento e aí perderam-lhe o rasto. A 6 de Setembro, as buscas por Maëlys foram alargadas ao perímetro do lago Aiguebelette e a uma zona de desfiladeiros (Gorges de Chaille), a cerca de 12 quilómetros da casa do suspeito. A zona foi batida por 150 polícias, seis mergulhadores, cães-pisteiros da polícia, vários drones e um helicóptero. É sabido que Nordahl passava muito tempo nestes locais, alojando-se numa cabana junto ao lago. Ia lá quase todos os dias, umas vezes com amigos, outras só com os seus cães. A família do suspeito tem um barco naquele local. Mas até hoje ninguém vislumbrou sinais de Maëlys.