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Hélio Pestana esteve internado na ala psiquiátrica durante dois anos

Uma “paixão platónica” destruiu a vida do jovem ator. Há duas semanas, teve alta e sonha voltar a representar 

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José Oliveira

Em "Morangos com Açúcar 2" (2004/2005)

Em "Morangos com Açúcar 2" (2004/2005)

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Em "Dei-te Quase Tudo" (2005/2006)

Em "Dei-te Quase Tudo" (2005/2006)

Em "Paixões Proibidas" (2006/2007)

Em "Paixões Proibidas" (2006/2007)

José Oliveira

Fez sucesso na 2ª série de “Morangos com Açúcar”, no papel de Henrique, mas um amor que criou na sua cabeça fez com que abandonasse a carreira e toda a vida social. Esteve dois anos internado. Entre o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e uma clínica em Telheiras, Hélio Pestana, 33 anos, procurou a cura para o que começou numa depressão grave e transformou-se numa psicose. Aceitou internar-se em 2013, teve alta apenas há duas semanas e sente-se completamente recuperado. Hélio conta na primeira pessoa tudo aquilo por que passou para ultrapassar uma paixão que “nunca aconteceu”. 

Tudo começou na faculdade, em 2004. O jovem conheceu uma rapariga que o encantou à primeira vista e interiorizou que esta seria “a mulher da sua vida”. Apesar de ser apaixonado pelo mundo da representação, o ator confessa que concorreu ao casting de “Morangos com Açúcar” por amor: “Decidi iniciar a minha carreira televisiva com dois objetivos e um deles foi chamar a atenção da pessoa de quem gostava. Achava que sendo famoso seria mais fácil conquistá-la”, conta. Foram cinco anos a tentar alimentar uma paixão que pensava ser correspondida. Em 2009, Hélio ganhou coragem e decidiu declarar-se: “Quando vi que este amor não dava frutos, decidi falar com ela e ouvi o que mais temia: disse-me que não estava interessada em mim. Nunca falámos mais do que cinco minutos”. O jovem aceitou a rejeição e continuou a criar fantasias na sua cabeça e a luta para conquistar a rapariga tornou-se o seu único objetivo de vida. “ Tinha um comportamento obsessivo. Foi um amor épico e acho que não vou ter mais nenhum assim. Uma paixão que deu cabo de mim, que me destruiu.”

Foram várias as loucuras que Hélio fez por amor. “Seguia-a, inscrevi-me nas aulas dela para aprender a dançar o tango. Escrevi-lhe imensas coisas sobre o que sentia. As respostas que obtinha eram sempre curtas e negativas: ‘não gosto de ti’, ‘vou casar--me’, ‘não me chateies’...” A situação tornou-se insustentável para os amigos, familiares e para o próprio ator. “Há dois anos, percebi que tinha de ser internado para conseguir lidar com este problema. Aceitei, mas não percebi isso por mim. Quando disse à minha mãe ‘internem -me que não me importo’, ainda estava certo que o meu amor era correspondido, que ela gostava de mim.” Assim, o jovem nunca ofereceu resistência em dar entrada no hospital. “Só disse para me internarem porque era o que toda a gente à minha volta dizia que precisava de fazer.” 

Foram momentos difíceis para Hélio e para a restante família. “A minha mãe lidou muito mal com a situação, ficou num pranto, o seu sofrimento foi muito grande. Passou um mau bocado”, confessa. 

Dois anos foi o tempo que Hélio precisou para se tratar e garante que foi o tratamento que o salvou desta obsessão. “Só durante o internamento é que percebi que não valia a pena continuar a pensar que ela gostava de mim.” Hoje em dia, pouco ou nada Hélio sabe sobre a mulher que o encantou: “Sei que seguiu a vida dela, acho que nem sequer sabe que estive internado durante todo este tempo. Foi um amor parvo”. Recuperado, o ator afirma que está completamente preparado para encontrar a sua cara-metade. “Vejo-me a amar novamente. Não tenho medo de me apaixonar. Aprendi que, por mais que se ame alguém, não vale a pena deixar de trabalhar por causa disso. Larguei tudo por causa dela. Pus tudo em causa.”

Hélio Pestana terá de continuar a ser medicado, para evitar algumas crises, e a “ir a consultas no hospital”. Agora, o seu principal objetivo é voltar a brilhar na televisão. “Adorava voltar a representar, mas também gostava de publicar o meu diário.”